sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

De novo

Resgatei alguns poemas
Que se amontoaram em minha garganta.

Despudorados
Como toda poetisa.
Inacabados
Como toda paixão proibida.
Bagunçados
Como tudo nesta vida.

Tirei o pó.
Limpei o mofo.
Vai parecer que é novo
Mas na verdade eles são "de novo".



"Meu caminho é meio perdido
Mas que perder seja o melhor destino"
Ana Carolina

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Agora

E o que eu faço agora
Que só o teu "boa noite"
Me devolve a paz?
Que só de te olhar
Meu corpo desobediente se entrega?
Se é que posso chama-lo de meu
Desde que conheceu o teu...
Que só de ouvir tua voz um riso me escapa?
Vários. Vão ao seu encontro como se quisessem te fazer cócegas...

Confio que a distância vá matando aos poucos o desejo.
Mas se te vejo...que medo...me perco.
E vou todo dia pondo um ponto final.
E de ponto em ponto preencho o vazio que seu corpo deixou
E te descubro tatuado no que hoje sou.


Mas quer saber? Pouco importa o que passou.
Por que agora o que nos incomoda
É a porta da vontade
Louca de saudade.
Aberta.
Escancarada.
Gritando: "Vambora? Me sequestra o juízo e vamos brindar novos agoras!"

E quando se cala, suspira escondida
Porque sabia que não duraria a vida toda
Mas que valeria por toda a vida.


"Ainda é tudo seu aqui... É tudo seu."
Luiza Possi

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Ainda

Bora coração
Apaga este beijo
Que te morde de desejo
Que te arranha de saudade
E te arrasa com a verdade

Bora coração      
Arranca a lembrança
Que te bagunça a esperança
De fechar este corte profundo
Onde sepultou o teu orgulho

Porque se essa porta não fecha    
Essa água na boca não sessa
A gente não peca
Mas não se completa
...


Te quero longe
Te quero hoje
Te quero solto
Te quero todo
Te quero tanto
Não quero mais
Te quero em paz
Mas espero
Pelo teu 'eu também te quero
Ainda mais'.                    




"Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa...?"
Cazuza

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Caminho

Se tem algo de eterno em nós é o carinho que recebemos gratuitamente. Passo-a-passo, dia-a-dia, tudo fica para trás, menos as lembranças do esforço ainda que pequeno que fizeram só pra te ver sorrir. 
Há pessoas que têm essa capacidade de fazer mais que respeitar, quer adoçar. E de graça cuida do outro por puro carinho.

Caro leitor, desejo pessoas assim em seu caminho!


Ps: Esse na foto é o Lopes, motorista do fretado. Sempre que  preciso distraí minhas lágrimas com pipocas e batatas. E me leva com cuidado,  ou melhor,  com carinho até meu lar. ♡ 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Depois de você


"Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.”

Caio F Abreu


"Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender
Depois de você, os outros são os outros e só"
Kid Abelha

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Inflamável

Vejo o sol de muitas janelas. Nenhuma delas é minha.
Engraçado essa teimosa saudade, daquilo que ainda não se teve de verdade.
Mas ele nem se importa. Vem e me acorda.
Muda meu humor. Aumenta o meu calor. Que de tão ansioso, já não anda pouco.
Ao redor:
Olhos cerrados. Cabelos trançados.
Dia maior.
Que sede que dá! De água, de beijo, de mar...
Filtro solar. Ventilador pra refrescar.
Ainda é cedo, deixe estar.
E ao se pôr, muda de cor.
As pessoas se tornam laranjas. Vermelhas. Crianças.
Dá vontade de rir. De sair. De sumir.
Derreter. Feito gelo mau cuidado.
Estilista do pecado. Encurta o vestido mais um bocado.
Encosta no meu corpo já suado. O preenche de amarelado.
Por vaidades, queimado. Por vontades, tomado.
E eu que do amor já não sei mais nada, olho pra ele apaixonada
E solto um sorriso a convidar:
Pode vir sem aviso o meu peito ensolarar.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O que aprendi com minha mãe

A inquietude de minha mãe é de se admirar
Tem sempre uma história nova pra contar.

Por uma samambaia, trocou o terno de casamento do meu pai.
Ele chocado, até hoje apaixonado, sempre reclama: “Ela vai lá e faz!

Ela desmancha a formalidade.
Não enxerga maldade.
E quando está com vontade,
Faz drama
Igual novela mexicana.
Como no dia que ela quer pizza
E todo mundo em casa quer comida. Dela claro!

Ela orgulhosa fazendo panqueca,
Testa a massa na panela
E confessa: “Vou fazendo. Não sigo receita. Ás vezes acerto de primeira...
E por não se preocupar em tentar,
Mal sabe ela
Que já está certa.

Ela, de quem acho graça quando fala errado,
Me apresentou um novo vocabulário.
E mesmo sem querer conselho,
Ela passa a mão no meu cabelo
E me desafia:
A gente se envolve, né filha?!
É mãe? E como desfaz?
É só se DESenvolver...
E por não saber, cumpri sua missão de me fazer crescer.

Minha mãe me faz chá quando estou triste.
Mesmo que eu diga: Não quero! Nem insiste.
Logo vem ela,
Com chá novinho em uma xícara velha,
Com pouco açúcar pra manter o sabor
E olhinho caído cheio de amor.
Ela não desiste. Eu não resisto.

E quando me lamento
Ela balança o punho fechado
E repete um mandamento:
Você tem que dizer ‘EU.CON.SI.GO’!
E de tão sem ritmo
Me rouba um sorriso.

Desde que nasci
Bagunço a vida dela.
E em troca ela me diz:
Vem cá que eu fiz bolinho de chuva com canela.
E a tarde vai se embora.
E a tristeza.
E o medo.
E o regime.
E por fim, tudo se renova.

É mãe, aprendi com a senhora:
A vida acontece agora.